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Nanismo na cultura da soja

A Agrícola Santo Grão vem conversando com diversos clientes pelo oeste do paraná que se depararam com um problema de nanismo na cultura da soja implantada na safra presente.

Existem diversas possibilidades de uma planta de soja sofrer esse nanismo como o caso de excesso de dias encobertos, o encharcamento de solo, os ataques de algumas espécies de nematoides, temperaturas muito baixas, efeitos toxicos pelos tratamentos de sementes, vigor, o residual de herbicidas e mais alguns fatores que também contribuem para esse tipo de efeito.

Uma grande maioria de produtores relatou que este nanismo se deu pelo acumulo do herbicida 2,4-D sobre a palha da cultura antecessora onde este deu um efeito residual na cultura da soja presente..

Se os sintomas da soja em sua lavoura não se enquadram nessas condições podem ser outros fatores que contribuíram para a redução de porte de suas plantas de soja. 

 Saiba um pouco mais sobre esse herbicida 2,4-D e seus sintomas

 

Atividade residual de 2,4-D sobre a emergência de soja em solos com texturas distintas.

 

O herbicida 2,4-D (ácido 2,4- diclorofenilacético) é um regulador de crescimento que possui efeito análogo ao hormônio auxina (Ashton & Crafts, 1973). Pertence à família dos compostos fenóxicos, sendo sais ou ésteres de elevado peso molecular e baixa volatilidade, derivados do ácido fenoxiacético (Saad, 1978). Quando aplicado em dosagens relativamente baixas causa efeitos em pontos distantes daquele onde foi realizada a aplicação na planta devido à sua capacidade de translocação. É utilizado como herbicida por apresenta seletividade para plantas de folhas estreitas, tendo maior fitotoxicidade para espécies latiloliadas, sendo bastante utilizado em plantio direto, principalmente em mistura com outros herbicidas, como o glyphosate, na dessecação de plantas daninhas antes da semeadura da soja. A seletividade ocorre por mecanismos fisiológicos (Saad, 1978), possivelmente porque em dicotiledôneas essa auxina sintética não é metabolizada tão rapidamente quanto à auxina endógena, enquanto monocotiledôneas podem rapidamente inativar auxinas sintéticas por conjugação (Taiz & Zeiger, 2004).

Sua toxidez se manifesta por meio de vários efeitos: epinastia das folhas, interrupção do crescimento e formação de necroses e raízes secundárias. Segundo Hanson & Slife (1961), citados por Ashton & Crafts (1973), quando plântulas de espécies susceptíveis são pulverizadas com 2,4-D o padrão de crescimento normal muda rapidamente: células meristemáticas param de se dividir, células em alongamento cessam o crescimento em comprimento, mas mantém a expansão radial.

Segundo Saad (1978), os principais efeitos do 2,4-D na planta são encarquilhamento das folhas, encurvamento da folha sobre a face inferior, as hastes se curvam para o solo e se tornam rígidas (às vezes trincadas) ou aumentam de volume em quase toda sua extensão, as cascas se fendem e dentro dessas fissuras aparecem galhos e raízes, os rebentos em desenvolvimento param de crescer, há o aparecimento de órgãos mal constituídos e as plantas perdem sua coloração verde, amarelecem e morrem.

Um fator importante a ser considerado no uso de 2,4-D é a sua persistência no solo, a qual apesar de ser considerada de curta a média e o período residual não exceder quatro semanas em solos argilosos e clima quente, quando aplicado em dosagens comerciais (Silva et al., 2007).